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Destaque Cultural

 

Os índios Kaingang

Os índios Kaingang, do grupo da família Jê, são o mais numeroso povo indígena do Brasil meridional, incluindo-se entre os cinco povos indígenas brasileiros com maior contingente populacional. São também os mais numerosos das sociedades Jês, ocupando áreas indígenas que vão desde o oeste paulista até o norte-nordeste do Rio Grande do Sul.

O termo Kaingang significa para os próprios indígenas a palavra “índio”, ou no sentido literal da palavra, gente do mato.

A história do contato entre os Kaingang e os colonizadores europeus teve início ainda no século XVI, quando alguns grupos que viviam mais próximos ao litoral atlântico tiveram contatos com os portugueses. No entanto, os registros históricos dessa época não nos dão maiores detalhes destes primeiros contatos.

No século XVIII várias foram as tentativas dos portugueses e jesuítas de submeter os Kaingang ao seu poder; contudo, foram poucos os que aceitaram viver sob o comando dos jesuítas. Assim, eles viveram livres nas regiões de campos e florestas do sul do país até o século XIX, quando foram conquistados.

A organização social dos Kaingang está relacionada a duas metades clãnicas: os kamé e os kairú. Essa divisão social não está relacionada a uma separação espacial, mas sim pela descendência.

Cada metade também é representada na cerimônia do kiki, a principal atividade cerimonial dos Kaingang, com uma pintura facial distinta: os kamé com motivos compridos e os kairú com motivos redondos (rôr). Os Kaingang utilizam pintura corporal somente em rituais e se identificam mostrando a pintura e fazendo o gesto do símbolo no rosto.

Cada metade (kamé e kairú) ainda sofre outra divisão. A metade kamé é subdividida em kamé e wonhétky, e a metade kairú é composta pelas seções kairú e votor. Essa subdivisão ocorre porque os Kaingang acreditam que somente os kamé e kairú são os descendentes puros dos “pais fundadores” – personagens míticos considerados como os criadores do mundo indígena Kaingang. Wónhetky e Votor são seções menores, pois estão relacionados a indivíduos que foram incorporados á sociedade através de alianças de cativeiro, e sua descendência.

O xamã Kaingang, chamado kuiã, efetivamente, não se ocupa apenas da cura, mas também do conhecimento, da capacidade de “ver e saber o que é que”, como dizem os próprios Kaingang. Para eles o poder do kuiã é adquirido através dos ‘companheiros’ ou guias animais. Para iniciar a relação como ‘companheiro animal’ o aspirante a kuiã deveria ir ao “mato virgem”, cortar folhas de palmeira e confeccionar recipientes para água para atrair o ‘companheiro’. Alguns dias mais tarde o iniciante retornaria à mata virgem e saberia qual animal bebeu a água preparada. Se ele próprio beber e se banhar com esta água ele passaria a ter o animal como ‘companheiro’ e guia.

A diversidade indígena brasileira é bastante grande. Cada nação tem as suas especificidades de organização social, mitos religiosos e sofreram de modos diversos o contato com o branco. Atualmente, os índios Kaingang adotaram muitas práticas do “homem branco”, contudo ainda mantém muitos aspectos culturais de seus ancestrais. Se você deseja conhecer um pouco mais da cultura Kaingang o Museu Egípcio e Rosacruz o convida a conhecer a sua exposição “Visões de Mundo, culturas e tradições: dos primeiros contatos à contemporaneidade dos índios paranaenses”.

 

1. Kaingang do Ivaí (RS). Foto de Vilaine Capellari, 1994. Fonte: pib.socioambiental.org/PT/povo/kaingang.


2. Kaingang Aldeados. Década de 1950. Acervo: Museu do índio. Fonte:pib.socioambiental.org/PT/povo/kaingang.
3. Armadilha de pesca Kaingang na bacia do rio Tibagi (PR). Foto de Kimiye Tommasino. Fonte: pib.socioambiental.org/PT/povo/kaingang.


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