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Destaque Cultural

 

OS SOLDADOS EGÍPCIOS

Desde o período pré-dinástico da história egípcia encontramos imagens que reproduzem as atividades guerreiras, além disso, geralmente o faraó é representado vitorioso nas fachadas dos templos egípcios demonstrando que é o responsável por afastar o caos.
A localização do Egito fez com que o país tivesse um território de fronteiras bem definidas por desertos e mares, o que o tornava uma das regiões mais seguras da Antiguidade. Na grande maioria das vezes os inimigos egípcios eram populações nômades que habitavam as fronteiras do país. Tinham certas vantagens no comércio, entretanto, poderiam ser perturbadores da paz, atuando em saques e pilhagens, com isso o soberano teria que intervir, já que era o chefe do exército egípcio.
As expedições militares egípcias inicialmente dedicaram-se a busca de minerais precisos como a turquesa e a malaquita. As tropas dos exércitos surgiram da necessidade de organização das centenas de trabalhadores operários do Egito, nascendo assim, organismos disciplinados, capazes de garantir a sobrevivência e com funções específicas. Os soldados eram sempre utilizados em missões pela margem do Nilo ou fora dela a fim de conseguirem produtos preciosos; além disso, as mesmas tropas tinham a função de proteger os operários contra os ataques dos povos nômades.
É claro que o exército tinha muitos outros empregos. Foram encontradas em pinturas funerárias como as do túmulo de Kahemhesit, em Sakara, e de Inti, em Deshasha, ambas da V dinastia, imagens que relatam atividades dos soldados egípcios. No primeiro foi reproduzido um cerco egípcio a uma fortaleza que está preste a ser conquistada. Trata-se de um acampamento fortificado que contém muitos homens, mulheres, crianças e gado. Sabotadores egípcios e membros do exército, armados com machados, atacam e sobem com escadas os muros da fortaleza. Na tumba de Inti há uma cena semelhante, na qual sabotadores e soldados atacam com a ajuda de escadas uma outra fortaleza. Porém nesta há registro do que se passa dentro dela. Há pessoas atentas ao rumor sinistro da derrubada do muro, mulheres que choram ao redor dos homens feridos e o chefe desesperado. São retratadas fases das batalhas entre os egípcios e os seus inimigos em luta corpo-a-corpo, há inimigos feridos por flechas, e suas roupas mostram que eram asiáticos. Por fim, tal quadro termina com a fila dos prisioneiros amarrados em cordas, seguidos por um soldado egípcio armado e com uma menina nos ombros.
Tais representações são o testemunho das atividades militares egípcias e suas técnicas de batalhas. No Reino Novo os egípcios possuíam experiências militares suficientes, revelando uma tradição de “arte militar”. Em uma representação encontrada no túmulo de um nomarca da cidade de Asyût, os soldados estavam dispostos em quatro fileiras de dez homens, provavelmente uma unidade tática. São apresentados dois grupos: um é constituído por egípcios que vestem faixas, armados com uma lança de lâmina em formato de folha de louro na mão direita e na mão esquerda seguram o escudo, este tem forma de ogiva, é de madeira revestido de pele de animal; o segundo grupo é constituído por soldados núbios, que se vestem como tal e empunham arcos. Assim, foi durante o Reino Novo que o exército egípcio passou a contar com a ajuda de mercenários de regiões vizinhas, como a Núbia e a Líbia, e o “ser soldado” tornou-se uma profissão atuante e ativa. Tais povos forneciam tradicionalmente mercenários chefiados pelos superintendentes (escribas), que junto com outros funcionários egípcios eram encarregados de manter as boas relações com os dois povos.
Quanto à existência de fortalezas havia algumas em territórios estrangeiros, como na Ilha de Elefantina, que fazia fronteira com a Primeira Catarata do Nilo situada em território Núbio, e a de Huny, da III dinastia; entretanto tais bases em territórios estrangeiros não representam exatamente dominação sobre um povo, mas apenas a garantia dos interesses comercias. Com isso, os egípcios adquiriram o ato de contratar soldados dispensados do serviço, estes poderiam ser encontrados em outros locais, e eram chamados de Medjaw. Os Medjaw eram tropas estacionadas por todo o território egípcio, sua missão era manter a ordem pública, e, geralmente, eram mercenários núbios incorporados ao exército.
Quanto aos faraós, estes davam grande importância aos exércitos. Nas Instruções para o rei Merikare, descreve-se bem tal importância: “Enriquece os teus funcionários e cuida dos teus guerreiros. Dá abundancia aos soldados do teu séquito”, pouco depois ele diz: “Contrata soldados para seres amado pela corte [...]. Durante vinte anos, os que estão ao serviço obedecem facilmente ao seu coração e depois os dispensados passam à reserva. Os recrutas entram ao serviço em seu lugar, chamados à instrução.” Aqui, podemos ver que os faraós durante a história egípcia, bem como os príncipes e outros nobres sempre deram importância aos exércitos e militantes, pois era deles que dependia o progresso, a segurança, o comércio, a defesa das cidades e dos campos férteis.
Segundo a religião egípcia o deus Montu era o patrono da guerra. O seu culto surgiu na cidade de Iuny, ao sul de Tebas, hoje chama de Armant ou ainda Hermonthis, na língua grega. O deus Montu era representado como um homem com cabeça de falcão, portando um disco solar com uma serpente chamada Uraeus, e com duas plumas ao lado do disco. O culto surgiu entre 2575 a.C e 2134 a.C e possui citações nos textos das Pirâmides de Gizé. Muitos soberanos do Antigo Egito incorporavam nomes de deuses em seus próprios nomes, como os reis que adotaram o nome de Mentuhotepe, que significa “Montu está contente”.
Mas, como Montu tornou-se o senhor da guerra para os egípcios? Na XI dinastia (2134 a.C a 1991 a.C), os reis obtiveram vitórias militares sobre outros povos e acreditavam que as suas forças eram regidas por Montu. A partir disso, os faraós, quando iam às batalhas se equiparavam ao deus, dizendo que incorporavam a coragem e a força de da divindade.

 

1. Paleta do Rei Narmer. Período Pré-dinástico, c. 3000 – 3100 a.C.

2. Modelo de exército egípcio do Reino Antigo.

3. Exemplos de armas egípcias

4. Representação de um arqueiro egípcio.

5. Detalhe de uma urna do faraó Tutankhamon, na qual o rei aparece combatendo asiáticos. Reino Novo, XVIII dinastia.



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