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Ordem Rosacruz Juvenil, ORCJ
 

EDUCAÇÃO DA JUVENTUDE
Não apenas mera instrução mas persuasão.

S. Balakrishna Joshi


A educação e a juventude estão intimamente associadas, como a fragrância e a flor. A educação destina-se principalmente à juventude, uma vez que a juventude representa a primavera da existência, quando o indivíduo tem de desabrochar para a aquisição de conhecimento, sabedoria e formação do caráter. Uma pessoa carente de educação não passa de um bípede. No atual sistema democrático é tanto responsabilidade quanto privilégio da juventude receber educação apropriada que a equipe para uma vida agradável e cidadania esclarecida. Lamentável é, no entanto, que a finalidade e filosofia da educação não sejam devidamente compreendidas.
Educação não é aquisição mecânica do árido conhecimento dos fatos, contido nos livros, e o sucesso superficial nos exames com todos os seus efeitos inerentes não representa a meta do empenho educacional. Educação é um processo compreensivo e sintético que objetiva o desenvolvimento do corpo, o alimento da mente, a sublimação das emoções e a regeneração do espírito, e sua consecução consiste na expressão de uma personalidade completa. A base para a realização deste ideal somente pode ser conveniente e verdadeiramente assentada nas escolas e universidades, que são agências específicas criadas com a finalidade de educar os jovens. Um senso de disciplina baseado numa compreensão esclarecida dos valores morais e éticos representa a necessidade evidente da hora, em todos os países.
É uma tragédia que, com o espantoso avanço da ciência, o homem esteja degenerando para um estado de selvageria civilizada, aniquilando as virtudes básicas que conferem dignidade e encanto à natureza humana. Nossa educação se transformará em desperdício colossal e objeto de motejo se não inspirar nos jovens uma fé duradoura nas Verdades Eternas e não conseguir neles instilar um senso verdadeiramente estético que considere a vida como uma magnífica oportunidade para a realização da perfeição. É conveniente lembrar que as escolas e as universidades não são simples estruturas de tijolo e argamassa, construídas para abrigar milhares de jovens com energia exaltada, durante a maior parte do dia. As escolas e universidades são oficinas de sabedoria, sementeiras de caráter, cidadelas de disciplina, arsenais de democracia e viveiros da nação, preparando

Corações puros, mentes fortes,
Fé verdadeira e mãos hábeis,

Homens a quem a avidez pelos cargos
Não pode aniquilar;

Homens que têm opinião e vontade
Para expressar.

Por isso, se as nossas instituições educacionais quiserem cumprir sua sublime finalidade, terão de ser transmutadas em centros de cultura.
A educação da juventude se constitui em responsabilidade associada que deve ser assumida por diferentes pessoas. Os professores, naturalmente, nela desempenham papel importante. Uma instituição educacional reflete aquilo que seus professores dela fazem, e os professores são aquilo que seu Diretor ou Reitor os inspira ser. Nem sempre é correto culpar os jovens quando as coisas andam erradas nas instituições educacionais. Os professores têm de compreender que não são compêndios animados cuja ação é a de transmitir partículas desconexas de conhecimento contidas na letra morta dos textos, e sim condutos vivos, cuja missão é a de transferir energia moral e espiritual por meio de instrução ilustrativa e influência pessoal.A mente do jovem não é uma grande lata de lixo na qual possam ser convenientemente lançados montes de conhecimento, mas um organismo vivo que tem de ser estimulado para a atividade criativa. O trabalho do professor, portanto, não é apenas instruir, mas persuadir.

DISCIPLINA E CARÁTER

A degeneração aflitiva nos padrões de trabalho e conduta tão em evidência entre a juventude nos dias que correm, é devida, em grande parte, ao fato de que o professor abandonou ou desistiu de seu comando moral. A maioria dos professores não é capaz de impor o respeito que é sua prerrogativa por força de seu nobre trabalho. Os estudantes de hoje são, no verdadeiro sentido, os construtores do amanhã, em cujas delicadas mãos treme o futuro destino do país. É, portanto, dever dos professores que se incumbiram da tarefa importante de moldar os cidadãos embrionários, treiná-los em disciplina e caráter, para que possam assumir suas responsabilidades condignamente quando chegar a ocasião.
Constitui dever moral, exigido dos professores, o manter o jovem sob controle razoável. É perfeitamente possível mostrarem-se rigorosos sem se tornarem-se ásperos e firmes sem se tornarem cruéis. Isto não significa que eles deverão brandir sua autoridade e intimidar o jovem até a submissão. O medo jamais poderá fazer um prosélito sincero: faz inabaláveis rebeldes e covardes. Os professores devem despertar no jovem um respeito sagrado que nasça da reverência e não um medo covarde que decorra da incapacidade de reação. Isto eles poderão conseguir se forem absolutamente sinceros e ardorosos no cumprimento de seus deveres elementares e compreensivos e imparciais em suas atitudes para com os estudantes. Quando os jovens percebem que os professores trabalham delicadamente para o seu progresso em todos os sentidos, passam a idolatrá-los e a indisciplina jamais sobrevirá.
O professor deve se tornar um exemplo solene para seus alunos, em todos os sentidos, suas palavras, gestos e ações, imbuídas com senso de disciplina para que sua vida transparente se torne um compêndio luminoso sobre ética dinâmica. Os estudantes que crescem à imagem de seus professores absorverão, então, inconscientemente, os elementos essenciais de um nobre caráter. A responsabilidade do professor nesse sentido tornou-se maior devido à penetração de vários elementos prejudiciais que tentam corromper a mente dos jovens e neutralizar a influência salutar da instrução organizada.
Os professores dotados de disposição mental e capacidade adequadas só podem transformar a educação em influência poderosa para o bem. É verdade que o quinhão dos professores deverá ser consideravelmente aumentado como ato de mera justiça; todavia, não é correto imaginar-se que os seus vencimentos devam ser exagerados para “atrair” o tipo correto de homem e mulher para a profissão. A “atração”, com o propósito de excitar a cobiça abjeta, tem em si mesma um elemento que toca a vulgaridade. Ao contrário, caso se queira galvanizar a educação, homens e mulheres imbuídos de fé e fervor deverão “gravitar” para a profissão com disposição para trabalhar dedicadamente. O perigo é que, quando apenas as possibilidades materiais do professor são salientadas, haverá luta pela profissão e os que forem realmente bons poderão ser alijados na competição. A educação nas mãos daqueles que não acreditam na vocação e à força abriram caminho para o magistério por meio de auxílio fortuito devido às ninharias resplandecentes que se agitavam à sua frente, poderá se tornar uma calamidade em vez de benefício.

O LAR E A ESCOLA

É desastroso que os pais freqüentemente se esqueçam de que têm de desempenhar papel importante na educação da juventude. O lar deve ser tanto uma réplica da escola quanto a escola um prolongamento do lar. Os pais são os primeiros professores e os professores os segundos pais. Eles devem, portanto, estender sua cooperação esclarecida aos professores e fortalecer a influência da escola por observação contínua e controle eficiente sobre o jovem no lar. Mais do que isto, o exemplo de sua conduta deverá ser digno de emulação.
Caso se queira fazer da educação da juventude uma influência benéfica, os poderes competentes deverão também estender aos professores toda a proteção e auxílio. Devam dotar os professores com poder suficiente para enfrentar adequadamente os casos de indisciplina juvenil, e se colocarem ao lado dos professores a qualquer preço. Ai da educação se as pessoas no poder se entregaram a pânicos freqüentes sob a mórbida influência da crítica insensível, e profanarem a imagem da majestade do professor! É realidade dolorosa que, por um falso senso de cavalheirismo democrático aos jovens, seja conferida excessiva liberdade, atribuindo-lhes importância extraordinária.
Não compete aos jovens que se dirigem às escolas e universidades indagar por que e, sim, modificarem-se e transformarem-se em refinados espécimes de cidadãos cultos. Eles devem compreender que, a despeito de quão precoces possam ser, não podem reivindicar a madura experiência da idade que apenas se evidencia pela participação em diferentes e inúmeras situações da vida, durante longos anos. A humildade é prova inequívoca de cultura; o autodomínio, a essência da disciplina; a educação se transforma em recurso valioso apenas quando é iluminada pelo caráter. Se os jovens possuem a necessária sabedoria amadurecida para decidir qual o curso de ação que o governo deverá adotar com respeito às importantes questões nacionais de amplas conseqüências, o tipo dos indivíduos que devem dirigir as instituições educacionais e estabelecer programas, a maneira pela qual devem ser conduzidos os testes para determinar o valor e a diligência dos estudantes e a formulação de princípios para a determinação do progresso acadêmico, então não será necessário que freqüentem instituições educacionais para receber instrução, pois estarão desperdiçando tempo e energia.
Conseqüentemente, se os jovens, devido a excesso de confiança nos impulsos, se desviarem das normas de conduta estabelecidas, o governo terá de exercer sua autoridade e poder para trazê-los novamente à sensatez e sobriedade, sem ceder aos sentimentalismo tolo que hesita em coibir a liberdade caprichosa de indivíduos desencaminhados. É repugnante notar que os atos indecorosos da juventude são voluvelmente desculpados com superabundância de argumentos insípidos. Se as condições forem ideais, os padrões de conduta toleráveis merecerão apenas ligeira menção encomiástica. Somente quando as condições não são favoráveis e quando obstáculos sérios desencorajam o esforço sincero e tremendas desigualdades põe a prova a paciência, deve ser estabelecido um senso de disciplina para fixar a conduta.
Portanto, o jovem deve, necessariamente, com empenho deliberado, ser instruído em boas maneiras, conduta decente e atitudes corretas. Com toda a eficiência persuasiva da autoridade moderada, os jovens têm de ser levados a compreender a suserania da lei moral e a necessidade de obedecê-la. A instrução ética, organizada em linhas disiplinadas e conducentes à descoberta do Espírito, que é a Realidade final, deve se constituir na parte mais importante de toda a instrução, para que a educação se torne uma benção para a juventude.

(Reimpresso do Bhavan’s Journal de 16 de Julho de 1967)




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